No outro dia, estava eu e uns amigos num supermercado, lá pelos allgarves, a fazer as compras, para ver se conseguíamos sobreviver uma semana sem ir a um restaurante. Qual não foi o meu espanto quando, já de cesto aviado e junto à caixa prontos para esvaziar os bolsos, me deparo com uma nota de 50€ no chão, mesmo a olhar para mim. A minha reacção automática foi «De quem são estes 50€?». Um amigo meu que estava a pagar as nossas compras ainda esboçou um «Errrr, hmmm», como quem diz «Não são meus, mas podem passar a ser, se o verdadeiro dono não se acusar», mas acabou por não exteriozar a sua ganância. Nisto, a menina da caixa diz que se calhar eram de uma senhora inglesa que tinha um colar no cesto. «Ok, vamos lá então ver da camone que tem um colar no cesto e praticar a boa acção do dia...», pensei. Depois de duas voltas ao supermercado a olhar para o cesto das pessoas desisti, de consciência tranquila, e com um saldo 50€ mais gordo. Regressado ao local onde havia encontrado o dinheiro, estava uma senhora inglesa na caixa com um colar no fundo do seu cesto das compras. Perguntaram-lhe se ela não tinha dado pela falta de dinheiro, ao que ela respondeu afirmativamente. Em seguida, e para eliminar as dúvidas, questionaram-na sobre o montante que tinha perdido. A resposta: «50€». E lá fui eu devolver a nota laranja que já se tinha afeiçoado ao meu bolso à sua verdadeira proprietária. Escusado será dizer que fui alvo de injúrias e reprimendas dos meus amigos, por motivos óbvios.
Ora, mas esses motivos óbvios, que se chamam «honestidade», compensam. A senhora inglesa, depois de pagar as suas compras, dirigiu-se a mim e depositou uma nota de 5€ no nosso saco. Ainda tentei devolvê-la, mas a senhora recusou e saiu disparada. Resumindo, não fiquei com nada que não era meu (o que deixou a minha consciência quietinha no seu lugar) e ainda recebi uma bonificação de 5€ pela boa acção que pratiquei. Os 5€ foram directamente para uma dose extra de hamburgers, que havia de contribuir para a consecução do nosso objectivo inicial: não ir a nenhum restaurante durante uma semana e sobreviver.
Como Adam Smith, o pai da Economia, disse na sua Teoria dos Sentimentos Morais, «por mais egoísta que se possa pensar que o homem seja, é evidente que há alguns princípios na sua natureza que o fazem interessar-se pelo destino dos outros e tornam a felicidade destes necessária para si próprio, mesmo que não tire nenhuma vantagem disso, excepto o prazer de a ela assistir». Não que eu tenha sentido uma grande felicidade em ver 50€ a fugir-me por entre os dedos, mas ao menos correspondi à natureza humana e desfrutei do prazer que é ser-se honesto... Ok, pensando bem, se calhar fui um bocado estúpido.
Ora, mas esses motivos óbvios, que se chamam «honestidade», compensam. A senhora inglesa, depois de pagar as suas compras, dirigiu-se a mim e depositou uma nota de 5€ no nosso saco. Ainda tentei devolvê-la, mas a senhora recusou e saiu disparada. Resumindo, não fiquei com nada que não era meu (o que deixou a minha consciência quietinha no seu lugar) e ainda recebi uma bonificação de 5€ pela boa acção que pratiquei. Os 5€ foram directamente para uma dose extra de hamburgers, que havia de contribuir para a consecução do nosso objectivo inicial: não ir a nenhum restaurante durante uma semana e sobreviver.
Como Adam Smith, o pai da Economia, disse na sua Teoria dos Sentimentos Morais, «por mais egoísta que se possa pensar que o homem seja, é evidente que há alguns princípios na sua natureza que o fazem interessar-se pelo destino dos outros e tornam a felicidade destes necessária para si próprio, mesmo que não tire nenhuma vantagem disso, excepto o prazer de a ela assistir». Não que eu tenha sentido uma grande felicidade em ver 50€ a fugir-me por entre os dedos, mas ao menos correspondi à natureza humana e desfrutei do prazer que é ser-se honesto... Ok, pensando bem, se calhar fui um bocado estúpido.
1 comentário:
sim, mesmo estúpido
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