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Só vivo por completo quando volto a menino.José Maria Valverde
CAFÉ DE SUBÚRBIO (13)
Admitiram um empregadito,
Pau para toda a colher:
Com que pesar o vejo ver-se aflito
Pra servir e atender!
Os clientes da sua idade
Entram e saem sem lhe darem atenção,
Enquanto ele, suado, acarreta uma grade,
De cerveja ou de cola, pra detrás do balcão.
Limpa, pela manhã, os vidros das vitrines,
Sem energia e sem cuidado.
A fralda fora dos jeans,
O rosto imberbe corado.
Hoje, porém, reparo
No olhar interessado, demorado e contente,
Posto em seus olhos verdes e cabelo claro,
De uma bonita cliente adolescente.
Ele, não sei se reparou. Mas com que graça
Corou mais (ou será da manhã fria?)
E pronto começou a limpar a vidraça
Com cuidado e energia!
- António Manuel Couto Viana
in As escadas não têm degraus, nº4
Cotovia, 1991
- Robert Frost
- Emily Dickinson
(tradução de Ana Luísa Amaral)
in Cem Poemas, Relógio d'Água, 2010
- Tassos Denegris
(tradução colectiva - Casa de Mateus)
in A outra versão, Quetzal
- Tassos Denegris
(tradução colectiva - Casa de Mateus)
in A outra versão, Quetzal
- Ernesto Sampaio
A Poesia Incompleta tem o prazer de vos convidar para o lançamento do livro O Taberneiro, de Miguel Martins, no Teatro Cinearte (Largo de Santos, Lisboa). A apresentação estará a cargo do poeta Rui Caeiro. Além de uma alegada leitura de excertos da obra, o autor e o apresentador prometeram, em caso de vitória, correr nus pela Avenida Almirante Reis, em data a anunciar. O barman-livreirito-editor, esse, não prometeu rigorosamente nada, mas agradece a presença*.
* Por superstições do autor, do apresentador e do editor, agradece-se que os convivas não enverguem roupa azul, equipamentos desportivos, cruzes gamadas, samarras, galochas, óculos 3D, narizes e/ou dentes postiços, nem materiais como o organdi, o popeline, ou o terylene.
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Gosto dos comensais, mesmo se caloteiros, fidelidade à fome, iss'então é que não. Penso nas imagens de São Biafra – Igreja do Santíssimo Trinitá –, os ratos na panela, a mão crespuscular, o filho pela pele, e abençoo a puta, «a puta, coitadinha», de catorze anos, que empurra uma golfada de esporra ainda viva com o requeijão e o mel da sua gulodice.
- Miguel Martins
in O Taberneiro, Poesia Incompleta
- Adrienne Rich
(tradução de Maria Irene Ramalho
e Monica Varese Andrade)
in Uma Paciência Selvagem, Cotovia
10Há na região do Fundão, vocábulo d'atros tempos: «triforfai»; quer dizer tareia e vem de oitocentos, quando os soldados ingleses aí estacionados eram chicoteados publicamente e as chicotadas contadas em voz alta. Three, four, five. Aí, vai que não vai; na cama, não. Pois eu cá gosto de esbofetear caras e mamas e conas e cus e mãos e pés. E de meter mãos em conas e cus até poder. E tenho encontrado alguma receptividade. «Tu, noutra vida, deves ter sido ginecologista.»
«Ai, O TABERNEIRO armado em Ballet-Rose...», diz uma paneleira de circunstância, que também gosta de descobrir gralhas e erros ortográficos nos livros.
- Miguel Martins
in O Taberneiro, Poesia Incompleta
- José Tolentino Mendonça
in A noite abre meus olhos, Assírio & Alvim
- Manuel de Castro
in Paralelo W, edição do autor
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Há à minha volta uma verdade que se desenrola e que tem a ver com o erro, com a ignorância e com a pequena certeza da minha época. Eu vivo do erro dessas verdades, vivo dos seus limites – esclareço-o, ignoro-o, desenvolvo-o adentro do meu tempo, torno-o na minha subjectividade. O que quer dizer: ilimito-me. E cada vez estou mais certo da sua e da minha condição histórica, que posso enunciar deste modo: os meus versos sabem coisas que eu ignoro.
- João Miguel Fernandes Jorge
in Obra Poética - Volume 4 (excerto
da nota final), Editorial Presença
- Manuel de Castro
in Paralelo W, edição do autor
- Manuel de Castro
in Paralelo W, edição do autor
- Manuel de Castro
in Paralelo W, edição do autor