segunda-feira, maio 29, 2017

Virginia Woolf, "Momentos de Vida", Ponto de Fuga




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sábado, maio 27, 2017





Meses depois desfez a trança e o pólen
dos jardins mais remotos impregnou o ar.
De um vestido no chão fica um buraco
por onde o coração desce mais fundo
que a noite, e logo se começa a sonhar
deixando o mundo fora. Dessa origem
talhei um cuco, que me traz ecos, e sigo-a
por esse aroma cada vez mais vasto.
O tempo é a própria doença deitando
no sangue a memória das galáxias,
como se quisesse matar-nos de excesso,
tal como apodrece a orquídea
lutando pela beleza até à morte.

Um zumbido de artérias turva o ar,
sofro a asma, sorvo-o até à asfixia e
a um fósforo tiro segundos de susto,
registo à pressa as formas cruas,
a realidade atrás da realidade
dançando à luz dessa estrela
cortada no escuro, dez mil sentidos
dando harmonia ao que mal se vê.

Tenho cadernos, estudos compreensivos,
interrogatórios noite dentro, amo a demora.
Quanto mais difícil menos me sabe
a coisa minha. Caladamente me perco
e na volta recolho a minha língua
cheia de formigas. No fim, dou a ler
à aranha que da garrafa fez a sua torre.
Não me conforta, mas como ela sei que
se o verso atrai moscas ao menos
esteve vivo. Terei ainda ouvido
para o crime dos gatos, o que os distrai,
esse talento que perseguem, as espécies
que caçam nos tempos mortos.

A última primavera de que soubemos
tem anos, desfasada como um velho jornal.
Do mundo chega-nos alguma sílaba desconexa,
balançando-se no vento.
As xícaras estremecem à primeira carga
da claridade, na hora em que a terra parece
mais insegura, depois tudo retoma
a pequena e suja ordem moral.
Os pássaros metidos nas gavetas,
as árvores servem-se dos próprios baloiços.
Se o céu escurece, para lá da possibilidade
de trovoada, há as composições
incutidas na chuva, o modo como em casa
toda a repetição aprende música.

Quando a luz já não serve para ler,
o corpo pede à própria sombra uma direcção.
Tomamos os caminhos onde mais nos pesa
quem somos. Uns passos adiante,
um cavalo mastiga um grilo, a noite
começa já toda estilhaçada. Só a lua
com a sua navalha abre certas flores.
Sei de uma ali isolada que por esta hora
se fecha com um insecto na boca.
O que ele se debate, explode em flashes,
exaltando a cor e os nervos no abraço
das pétalas, como uma máquina fotográfica
no interior do bosque.



quinta-feira, maio 25, 2017

Destino


Matamos o que amamos. O resto
nunca esteve vivo.
Ninguém está tão perto. A nenhum outro fere
um esquecimento, uma ausência, às vezes menos.
Matamos o que amamos. Que cesse esta asfixia
de respirar por um pulmão distante!
O ar não é suficiente
para os dois. E não basta a terra
para os corpos juntos
e a ração de esperança é pouca
e a dor não se pode dividir.

O homem é um animal de solidões,
cervo com uma flecha no flanco
que foge e de dessangra.

Ah, porém o ódio, sua fixação insone
de pupilas de vidro; sua atitude
que alterna entre repouso e ameaça.

O cervo vai beber e na água aparece
o reflexo do tigre.

O cervo bebe a água e a imagem. Torna-se
- antes que o devorem - (cúmplice, fascinado)
igual ao seu inimigo.

Damos a vida apenas ao que odiamos.

- Rosario Castellanos

Gary Snyder, "Nada Natural", Douda Correria



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terça-feira, maio 23, 2017

Poemas para Cris, de Julio Cortázar, tradução de Jorge Sousa Braga


CINCO POEMAS PARA CRIS


1.

E muito além do mezzo
camin di nostra vita
existe um território do amor
um labirinto mais mental que mítico
onde se pode ser
feliz lentamente
sem o fio de Ariadne delirante
sem espumas nem lençóis nem coxas.
Tudo se cumpre num reflexo do crepúsculo
tu com o teu perfume e a tua saliva.
Eu ali do outro lado te possuo
enquanto te entregas com a tua amiga
aos jogos da noite.


2.

Na verdade, pouco me importa
que os teus seios adormeçam
na azul simetria de outros seios.
Eu tê-los-ia amolgado
com a sofreguidão das minhas carícias
e tu terias rido precisamente
quando o necessário e expectável
era que soluçasses.


3.

Sei muito bem o que ganhas
quando te abandonas ao prazer.
Porque é exactamente
o que eu teria sentido.


4.

Apenas um erro
o termo-nos encontrado ao fim do dia
num passeio púbico.


5.

(Gostaria que acreditasses
que este é o ridículo jogo
das compensações
com que me conforto a esta distância.
E tu continuas a dançar
no espelho de outro corpo
depois de teres sorrido

para mim).



OUTROS CINCO POEMAS PARA CRIS

1.

É como os primeiros momentos de um encontro
depois de uma longa separação: sorrisos, perguntas, lentos ajustes.
É estranho, pareces-me menos morena
que antes. A tua avó melhorou finalmente? Não, não gosto
de cerveja. É verdade, tinha-me esquecido.
E por debaixo do monta-cargas de sombra, lentamente sobe outro
presente. No teu cabelo começam a agitar-se as abelhas, a tua mão
roça a minha e coloca nela uma nuvem de algodão doce. Cheiras
de novo a sul.


2.

Tens, por vezes,
o rosto do exílio
aquilo que procura voz nos teus poemas.
O meu exílio é menos duro,
poupa nas defesas,
mas quando te levo pela mão
por uma pequena rua de Paris
gostaria tanto que o passeio acabasse
numa esquina de Montevideo
ou na minha rua em Corrientes
sem que ninguém viesse
pedir os documentos.


3.

Chego a pensar que podíamos
conciliar os contrários
encontrar o centro imóvel da roda
sair do binário
ser o vertiginoso espelho que concentra
num último vértice
esta dança cerimonial que dedico
á tua presente ausência.
Recordo Saint-Exupéry: “O amor
não é olhar o que se ama,
mas sim os dois olharem na mesma direcção”
Mas ele não suspeitou que tantas vezes
os dois olhávamos fascinados a mesma mulher
e que a esplêndida, feliz definição
cai no chão como um manequim cinzento.


4.

Creio que não te quero,
que somente quero a impossibilidade
tão óbvia de querer-te,
como a mão esquerda
enamorada dessa luva
que vive na direita.


5.

Ratinho, penugem, meia-lua,
caleidoscópio, barco numa garrafa
musgo, sino, diáspora,
palingénese, feto,
isso e o doce de abóbora,
o bandoneón de Troilo e duas ou três
áreas da pele onde
faz o ninho o guarda-rios,
são as palavras que contêm
a tua cruel definição inatingível,
são as coisas que guardam as substâncias
de que és feita para que alguém
beba e possua e arda convencida
de te conhecer inteira,
de que só és Cris.



ÚLTIMOS CINCO POEMAS PARA CRIS

1.

Agora escrevo pássaros.
Não os vejo chegar, não os invoquei,
mas de repente estão ali, são
um bando de palavras
pousando
uma
a
uma
nos fios da página,
chilreando, picotando, uma chuva de asas
e eu sem pão para lhes dar, unicamente
deixando-os vir. Talvez
isso seja uma árvore
ou talvez
o amor.


2.

A noite passada sonhei que eras
a sacerdotisa de Sekhmet, a deusa com cabeça de leão.
Ela nua em pórfiro,
tu nua na tua pele lisa.
Que presente estendias à deusa selvagem
que olhava através dos teus olhos
um horizonte eterno e implacável?
A taça das tuas mãos continha
a libação secreta, lágrimas
ou o teu sangue menstrual, ou a tua saliva.
Em todo o caso, não era sémen
e o meu sonho sabia
que a oferta seria recusada
com um lento rugido de desprezo
tal como tu esperavas desde sempre.
Depois, talvez, já não sei,
as garras nos teus seios, preenchendo-te.


3.

Nunca saberei porque a tua língua entrou na minha boca
quando nos despedimos no teu hotel
depois de uma visita amigável à cidade
e de um ajuste preciso de distâncias.
Acreditei por um momento que apontavas
uma data futura,
que abrias uma terra de ninguém, um interregno
de onde alcançar o teu minucioso musgo.
Cercado por amigas me beijaste,
eu a excepção, o monstro,
e tu a transgressora balbuciante.
Vá-se lá saber quem tu beijavas,
de quem te despedias.
Fui o vigário feliz de um só instante,
o que às vezes encontra na saliva
um breve gosto a madressilva
sob os céus austrais.


4.

Quisera eu ser Tirésias esta noite
e numa lenta espera de cabeça para baixo
receber-te e gemer sob os teus flagelos
e as tuas tíbias medusas,
sabendo que é a hora
da metamorfose recorrente,
e que ao descer o redemoinho de espuma
abrir-te-ias chorando,
sendo docemente empalada.
Para voltares depois
ao teu imperioso reino de falanges,
ao cerco de tua pele, aos teus húmidos tentáculos,
até juntos nos arrastarmos e abraçados alcançarmos
as areias do sonho.
Mas eu não sou Tirésias,
apenas um unicórnio
que procura a água nas tuas mãos
e encontra entre os lábios
uma mão cheia de sal.


5.

Não te vou aborrecer com mais poemas.
Digamos que te disse
nuvens, tesouras, pássaros, lápis,
e que alguma vez
tu sorriste.

segunda-feira, maio 22, 2017

língua morta 075



FERA OCULTA,
de Vasco Gato,
capa e desenhos de Odilon Redon

 [250 exemplares, 42 pp., 7€]



Antes sentava-me, dizia-lhe quero um café e que chova, mas há um bocado ouvi-a mal tocada e melhor assim, a sensação foi de que trocava a chuva toda, o que já fez por mim, mesmo que pudesse escolher a hora, deixava-a num balde à porta do senhorio, numa mala com toda a roupa que nunca mais secou, trocava-a se pudesse ter tido as primeiras notas da gymnopédie n.1, a bem do meu nome, ser encontrado morto nela, como se até o sangue pudesse calar-se, o próprio movimento quase se suspendesse, ouvi-la antes que ao mundo fosse dada nota deste cadáver deliciado, ter adormecido com o grilo no bolso e esmagá-lo assim, tê-la no quarto como uma infiltração, a mancha dando conta da parede, a pingar na carpete, na bacia, água querendo levantar-se como um animal ferido, o desejo estafado, a prova de que se foi mais longe uma noite que mil antes de ti, aquela espera toda e a rua a fazer-se de forte para não chorar, com barulhos inexplicáveis atrás de si, a cabeça apodrecida, cheio de dores no sangue, tocando devagar, deixando cair cinzas, aprender com as formigas como chegar a velho um animal disperso, e ninguém dirá que fomos exactamente deste tempo ou daquele, a cidade evacuada, o vento que entra connosco nos lugares e encontra tudo largado, sentar-se como a noite, ao fundo, fazer o seu espectáculo, impedir que acabe o mundo com uma mão nas teclas como num ombro, continuar as frases de outros, quando os homens reduzem a sua história a duas ou três palavras, saber algo tão profano e sincero, um sentido danado, pobre e firme, ter-se escrito o que dava, o que foi possível para ver-se o fim de si mesmo, reunir as mãos que tivemos, os passos às voltas nesta terra entre todos os seres que não sabem fazer dinheiro, não sabem fazer grande coisa, anjos ineficazes, ser enfim dos tais a quem qualquer nome serve, que se deixam chamar no lugar dos outros, se chamam como toda a gente Erik Satie, saber como toda a diferença está nessas notas que podem repetir-se e quanto mais cansadas melhor, uma eternidade por onde se fosse sem ter de passar por deus.

sexta-feira, maio 19, 2017

Correio da Noite


Que há de pior que um tempo de imbecis de boa vontade? Se não era certo que tivéssemos os políticos que merecemos, é evidente que os jornais são a nossa cara. "Antes da invasão ouviremos no fundo dos espelhos o rumor das armas", avisou Borges. Parece claro o sentido que se pode retirar disto. Não vos conheço o hábito de pagar jornais. Consumis o que vos é dado gratuitamente - o milho que vos é atirado às fuças, pois já só reagis a partir de impulsos dignos dos pombos de praça - e, no entanto, reforçais as queixas de um utente, esse que pagou um serviço premium e se viu defraudado. O vosso escândalo é o de uma mulher que nos sonhos se pinta uma lindeza e mal desperta vai enfurecer-se com o espelho. Uma bruxa de branca de neve que coage tudo o que a rodeia a uma cerimónia de embevecimento. Correio da Manhã? Sim, o espelho de suas princesas. E o perfume em que se banham, depois de vos tomar o travo azedo na pele, quando passais deixa este cheiro a podre. E esse aviltamento todo é a sátira que se rendem a vós mesmas, como os bêbados ao barafustarem frente ao próprio reflexo, enraivecidos perante a espectacularidade grotesca dos gestos do outro, com a sua total falta de modos. O Correio da Manhã está muito bom, se quereis a nossa opinião, a de quem lê o da Noite, e se dá conta das bases e dos pós que aqueles usam para vos tornarem irreconhecíveis, quando o imbecil composto que sois na segunda se cruza com o monstro que, com ar alucinado, volta a casa na sexta.

Entrevista a Rachel Cusk



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quarta-feira, maio 17, 2017

"O Sr. Ibrahim e as Flores do Corão", no Teatro Meridional



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terça-feira, maio 16, 2017


Ruínas das que ainda domesticam pássaros, janelas tão baixas, numa casa velha tudo se escuta, ouve-se mais do que se diz, os próprios ecos deixam a sua antiguidade e dão a volta cortando o caminho ao momento seguinte, pousam uma mão sobre a outra, o que já se passou inspira-se no que está prestes a dar-se, ditas por dizer, algumas frases alcançam anos depois um reticente e desolador significado, subtil como um acento, alguma variação devolve luz a certa divisão durante a noite, ruídos descosidos encontram uma cadência, o som de passos, a forma chega gradualmente, coisas que, lidas, nos deixam sem sono, a paciência educada entre murmúrios, lugares que deixam de existir de um instante para o seguinte, um espelho de vista tremida, este espaço todo beliscando-se, e para não deixar tudo em suspenso, se desse lado deixares cair um copo, partido no chão, o líquido formando ilhas, aqui as palavras terão ganho relevo, despertas do seu estupor, os sons separados, distintos, como se endurecidos, isto para provar esse gesto largo, essa força de relacionar as coisas, mas tu é que sabes até que profundidade sublinhas uma passagem, o momento que te põe em causa, e pergunto de que te serve essa inteligência, vivemos em segredo, quase pedindo desculpa ou odiando tudo, e não se pode fugir, amarrados aos próprios ossos, um animal fazendo um corte na pele, a ferida por onde escapar-se, e assim ter lido de tudo, por vezes até à perda dos sentidos, concebendo o seu próprio trópico, o país desdenhado, na base de deslocações, roubos medíocres, flores que vomitam beleza à meia-noite, trazer por um cordel a pata da natureza, amarrá-la nas traseiras, dormir pouco, acordar sempre de sobressalto, com o suor e as marcas no corpo, a tensão e os reflexos de um caçador, montando fragmentos extremos de um sonho, e o amanhecer depois, o não poder fazer nada, agarrar-se ao dever do anjo, a sua discrição, como gosta de sair absorvido entre cães vadios e pardais, conhece as ruas, o movimento, passa perto como a luz de um pensamento, frágil e sem margens, traça esses caminhos de dor e de mel, sente a lua dar a volta pelo outro lado, como nos educamos, ganhamos certos poderes, para ele as raízes que sabe onde cavar, como as arranca, quebra, expõe ao sol, que as seca e apura, fica de olho nesse fogão lentíssimo, o dia passa com a infusão a arrefecer numa chávena de lata, perfumando um princípio de noite, as mãos doem disso, e disto, também de te arrastar até cá fora, obrigar-me a olhar para cima como se fizesse diferença estarem lá estrelas em vez da luz que se perde entre palavras.

segunda-feira, maio 15, 2017

Entrevista a Adriana Calcanhotto



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quarta-feira, maio 10, 2017


O corpo através do vestido, e nele uma velha mancha de outros dias canta o prazer tomado como tarefa, esta distância calculada, ora modesta, ora provocante. Nunca mais me deitei, nem quis tremer da mão à boca, da fala aos sentidos, ter prometido coisas para logo desaparecer, passar a noite nos claustros do deserto, conhecer uma mulher desejável pela última vez e olhar de perto a beleza com um certo fastio, como um pássaro no ombro dela, achar graça e deixar o assunto, não abrir o mapa corsário, não divisar estratégia alguma, ouvi-la falar a língua de ontem, passar o tempo como contas num fio, estar ali ou na frágil presença do que se recorda, desapertar as botas, abrir a janela ao gato, tirar da estante dela um livro que há muito perdeste. Imagino que em vez de mobilar o quarto, tenha a colcha no chão, o que vai e volta nos bolsos, a uma certa altura a laranja pintando um contraste doce naquela brancura toda, ela ensaiando a rapariga com um brinco de pérola e outros menos identificáveis para ti enquanto se põe eterna para o seu artista holandês. Dá-me trabalho sair dali, colho aquele fruto que conserva parte da sua flor, para esmagá-lo e prender o gosto entre os dedos e o verso, horas acordado para ver deflagrar um tumulto qualquer, até sentir o buraco, a substância que a fome prende à distância. Quis estudar nos livros o coração das baleias, tremer de ter passado anos a dormir encostado a grandezas de toda a espécie, ter tido as vidas para sonhar em grego antigo, sânscrito, línguas mudadas em pássaros. Na herança que eles tanto dividem, ouvir a mosca inebriada de se ter empanturrado nas entranhas de um deus carcomido. Um tipo sai da sua cela e o mundo parece-lhe atroz no desperdício que faz do espaço, tudo repetido, igual, ainda nos censura o amigo que fizemos sem querer, falando alto, mostrando-lhe a letra, restos de prosa, mau sangue, insultos, esta raça podre de indiferença contra a qual cuspiste os dentes e, agarrando um raio, te atiraste à folha e sentiste a árvore, a seiva, as raízes, as farpas na pele quando lhe rachaste o tronco, aprisionando o fogo na tinta, um desses venenos de torneira mal fechada, pingando nos fundos da língua, a desmembrar-lhe o silêncio.

segunda-feira, maio 08, 2017

"A Casa das Belas Adormecidas", Yasunari Kawabata




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domingo, maio 07, 2017

Joseph Mitchell, "O Segredo de Joe Gould"



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sábado, maio 06, 2017

língua morta 074



ANIMAIS DE SANGUE FRIO,
de Elisabete Marques,
capa a partir de gravura de Pieter Soutman

[200 exemplares, 78 pp., 9€]

pedidos:edlinguamorta@gmail.com