segunda-feira, maio 04, 2015

sexta-feira, maio 01, 2015

«Misteriosamente feliz», recensão de Pedro Mexia



(abre a imagem noutro separador para a ampliares)

quinta-feira, abril 30, 2015


Se lhes faltar outro motivo, têm sempre a tua figura, essa postura em que te estendes a secar, essa camisa que nem sabes porquê mas gosta de ti nas horas sem cor nem desejo, um espanto maltrapilho que se inflama, borbota e tresanda a dias piores. Depois há sempre um caminho que consegue levar-te, seja a desculpa dos livros, só abrir e fechar, umas poucas frases que decoras e logo esqueces, alguém que tenha pensado melhor com a mão sobre a tua, num rascunho sem identidade, a idade presa, o espelho de ninguém, para te ver dançar sozinho nalguma obscuridade imperturbável. Não sabes estar acompanhado, quando abres a boca começas a descer-te a um poço onde te rodeias de ecos, fechado, esquisito, escuro, ameaçador. Por isso te levantas a meio da noite, entonteces à janela encantado com o jeito como certas horas chovem assoberbadas. Um talento esquecido que se arrasta contra a vida. E os planos ficam lá com o seu mundo, entretidos. Se te bate um sentimento pareces um fugitivo, e fazes de cada ida ao supermercado uma pequena odisseia. Nunca foste prático, mas hoje é que percebes a vadiagem, essa pausa reconfortante em que te desalinhas, uivas a qualquer lua ou a um poste de iluminação. Encostas ao vazio como a um sonho. Como outros dormem e convalescem, para ti a dor é um cão que precisa sair à rua, esticar as pernas mesmo se os dias vão bem. Cada vez mais dás por ti sem razões de queixa, e és obrigado a reconhecer que és um daqueles outros tipos: os que têm sorte.

quarta-feira, abril 29, 2015


Sonhando danças, vígil marcas passo
Vivendo dormes, vives se adormeces
Na caixinha de música em que esqueces
Como um velho, sobre o éter do bagaço.
Oh, em ti rodopias, pobre piasca,
Que sonhas teu compasso visionário,
A falsa valsa, o baile imaginário
Nos clássicos salões da tosca tasca.
E abraços tantos são em que te abraças
Que em sonho lasso o abraço lhe prolongas;
Em aguardente imerso o capitão
Assim aceita os braços de outras braças.
A vida... Porque nela te delongas?
A vida cabe toda num caixão.

- Daniel Jonas
in Nó, Assírio & Alvim

segunda-feira, abril 27, 2015

quarta-feira, abril 22, 2015

domingo, abril 19, 2015

terça-feira, abril 14, 2015

domingo, abril 12, 2015