é uma folha queimada,
fechado na gaiola do sentido
a morte é um cinzeiro, o homem vai-lhe deixando
as suas cinzas
mas a leveza branca por sujar
um recém nascido,
lasca de uma árvore por derrubar e tudo o que é ser
está numa linha ainda não escrita mais do que se a escrevesse
mesmo o melhor poeta
linha incondicional, indefinida, é tão mais bela
na folha de papel que ainda não se manchou
que fique para a última hora
e que no momento da despedida
o poeta descanse sobre a folha a sua caneta
e não escreva nem uma palavra
morrendo deixa
branca a última folha
como que prometendo
uma vida depois da vida
uma resma de folhas brancas
depositadas por Deus
na sua mão
é
o branco
na sua indefinição
o melhor poema de sempre
(branco)
3 comentários:
"...e não escreva nem uma palavra
morrendo deixa
branca a última folha
como que prometendo
uma vida depois da vida
uma resma de folhas brancas
depositadas por Deus
na sua mão..."
Não me atreveria a fazer qualquer comentário, apenas dar relevo e atenção à transparência das palavras proferidas...
(em branco)
locus
Uma folha de papel em branco possui no seu espaço todos os poemas do mundo.
E é com essa noção de humildade que um poeta deixa tocar a ponta da sua caneta no branco mar na esperança que a próxima folha de papel em branco possua a sua tinta.
obrigado pelos comentários
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