
Estou gradualmente a tornar-me sensível à aspereza das palavras do trabalhador. Ao desaire dessas críticas. Não quero que isto soe demasiado a uma confissão mas é o que é... É óbvio que quem se sente muito bem no esquema das coisas tende a tornar-se conservador. Por outro lado é claro que quem todos os dias se levanta e sai de casa para esse esforço maquinal deve sentir e expressar uma relação de ódio e frustração para com os que de alguma forma consegue apontar pelo não fluorescer das condições que afectam quem trabalha. Quando penso no trabalho projecto-o como um serviço de dedicação do indíviduo a si mesmo e não como uma necessidade ou uma obrigação, mas é provavelmente isso mesmo aquilo de que se trata - talvez seja ainda mais assim quando as perspectivas para amanhã não são encantadoras.
Num país assim é triste trabalhar e é triste mandar.
Sempre pensei que mandar é mais difícil do que obedecer. Continuo a pensar assim. Mas agora penso que se calhar isto não vai muito além da primeira ordem, a primeira instrução - nesse comando o obediente pode fazer fé na pessoa que manda mas não há nada como a repetição, nas alturas em que as coisas são difíceis, não há nada como a repetição para nos despojar de tudo, até da fé e da esperança.
A rotina do trabalhador triste é uma realidade muito violenta. Espero estar ao lado do trabalhador triste quando ele tiver finalmente a coragem mas não é porque eu acredite (como ele certamente acredita) na alegria, no fundo será um gesto de solidariedade.
Num país assim é triste trabalhar e é triste mandar.
Sempre pensei que mandar é mais difícil do que obedecer. Continuo a pensar assim. Mas agora penso que se calhar isto não vai muito além da primeira ordem, a primeira instrução - nesse comando o obediente pode fazer fé na pessoa que manda mas não há nada como a repetição, nas alturas em que as coisas são difíceis, não há nada como a repetição para nos despojar de tudo, até da fé e da esperança.
A rotina do trabalhador triste é uma realidade muito violenta. Espero estar ao lado do trabalhador triste quando ele tiver finalmente a coragem mas não é porque eu acredite (como ele certamente acredita) na alegria, no fundo será um gesto de solidariedade.
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