segunda-feira, fevereiro 26, 2007

A folha de papel em branco

folha de papel escondida atrás de palavras
é uma folha queimada,
fechado na gaiola do sentido
a morte é um cinzeiro, o homem vai-lhe deixando
as suas cinzas

mas a leveza branca por sujar
um recém nascido,
lasca de uma árvore por derrubar e tudo o que é ser
está numa linha ainda não escrita mais do que se a escrevesse
mesmo o melhor poeta

linha incondicional, indefinida, é tão mais bela
na folha de papel que ainda não se manchou
que fique para a última hora
e que no momento da despedida
o poeta descanse sobre a folha a sua caneta
e não escreva nem uma palavra
morrendo deixa
branca a última folha
como que prometendo
uma vida depois da vida
uma resma de folhas brancas
depositadas por Deus
na sua mão
é
o branco
na sua indefinição
o melhor poema de sempre











(branco)

3 comentários:

Anónimo disse...

"...e não escreva nem uma palavra
morrendo deixa
branca a última folha
como que prometendo
uma vida depois da vida
uma resma de folhas brancas
depositadas por Deus
na sua mão..."




Não me atreveria a fazer qualquer comentário, apenas dar relevo e atenção à transparência das palavras proferidas...







(em branco)
locus

Anónimo disse...

Uma folha de papel em branco possui no seu espaço todos os poemas do mundo.

E é com essa noção de humildade que um poeta deixa tocar a ponta da sua caneta no branco mar na esperança que a próxima folha de papel em branco possua a sua tinta.

Diogo Vaz Pinto disse...

obrigado pelos comentários