sexta-feira, dezembro 29, 2006

Sobre os artistas


Eu tenho uma opinião sobre os artistas e não é uma opinião chata daquelas que quer à força estar certa, é só uma daquelas que sorri, nos cumprimenta e depois segue o seu caminho... Por isso deve estar certa.

Penso que a arte é apaixonada pelas coisas, por todas porque há arte sobre e para tudo. O artista tem uma paixão por coisas, teima com elas, sente necessidade de escrever o seu nome ao lado delas, acrescentar qualquer coisa a outra coisa... Não me parece que exista arte não interpretativa. Tenho a impressão que toda a arte é intérprete, interpreta qualquer coisa, surge de algo podendo mover-se para longe sem cortar o cordão umbilical.
O artista esforça-se por fazer uma interpretação nova, original e que crie algo e às vezes só ele sabe que a obra nasceu de uma coisa, talvez até de uma outra obra.
Se o artista é um apaixonado ele é casual, é espontâneo e um pouco ingénuo... O artista não escolhe o momento, precisa dele, do seu momento. O artista é um amante, um amador. Ora sejamos francos o artista ou é demasiado bom ou será sempre um amador vivendo para a arte e nunca vivendo dela. Não há artistas profissionais e se os há a maioria são apreciados em demasia. Um artista é um cão não é uma puta. Embora uma puta possa ser artista, só não pode ser artista se está a trabalhar para ganhar o pão.
Não há artistas profissionais e se os há não são amadores. Não esperam o momento, não se apaixonam... São putas numa rua a atirarem-se aos clientes, aos necessitados, aos tesudos, falhados...
O artista trabalha porque tem que trabalhar para contribuir e para comer e faz arte não porque precisa mas porque quer. Ele quer a arte e a arte quere-o a ele. Algumas pessoas podiam esperar uma vida inteira pela arte e ela nunca se dignaria a aparecer-lhes.
A arte é um conjunto de momentos especiais e o artista amador rende-se a eles quando pode. O artista profissional tentou prender-se à arte e arranja formas de fingir que a traz na mala mas essa arte vale tanto como um coração arrancado do seu corpo e fechado, não perde a forma mas é só isso, já não bate e já não inflama.

1 comentário:

Anónimo disse...

E arte é um bater...suscita, impulsiona, move..."a arte é um conjunto de momentos especiais e o artista amador rende-se a eles quando pode" Inspiramos na arte e por momentos, por segundos, compreendemos que também somos pessoas, também somos emoção...e sem descuidar do ser pensante, há necessidade de adormecer a alma no sentimento, e daí o emergir do ser que vive, que sente...
É de notar que nos dias de hoje, poucos se deixam levar pela arte, ou pela sua própria arte, atendem ao que se deve fazer, ao racionalmente pensado, previsto, e esquecem a arte, a capacidade de estar e sentir, de olhar e ver, esquecem que são arte efusiva de ideais, de valores, de palavras, de sentimentos...
O artista amador, pensa: porquê? Descobre-se no uso descuidado de palavras reflectidas, entende-se a olhar para o outro e a ser capaz de sentir ou senti-lo, estende-se ao pensamento e à sua realidade, real ou sonhada...