sexta-feira, dezembro 29, 2006

Babel



Esta noite fui ver Babel. Deixo-vos aqui um comentário crítico sobre um filme que não sendo bom é importante e especial.



Antes de mais e para quem não sabe este filme não é uma daquelas apostas de hollywood com um grande casting e uma panóplia de artimanhas comuns para puxar o maior número de pessoas possível à sala de cinema. Se muitas pessoas vão ver este filme será porque de facto as pessoas envolvidas nele parecem estar realmente envolvidas, é um projecto sério e isso nota-se. Desde logo o realizador Alejandro González Iñárritu não é o tipo de profissional que tem um currículo cheio, é alguém que ainda se está a afirmar e que o tem feito através de filmes como Amores Perros e mais recentemente o 21 Grams - não é portanto alguém de quem se possa esperar só mais um filme. Eu não gosto do trabalho deste realizador, acho que ele tem qualidade mas os seus filmes parecem-me incompletos, como se faltasse alguma coisa, pouca coisa mas uma coisa significativa, coisa essa que faria de filmes como Babel uma preciosidade do cinema. Babel é um filme fraco mas é uma proposta poderosa e deixa no ar algumas ideias interessantes para não falar de interpretações sólidas que mostram pessoas reais em situações sérias e díficeis.
Não houve um único momento do filme que me agarrasse mais, que me levasse a sorrir e a pensar 'muito bem' ou 'caramba'... É um filme complexo, feito de bocados. Os bocados deste filme são muitos e alguns serão fácilmente apagados da memória. Tenho a sensação que se vir este filme daqui por dois anos já não me conseguirei lembrar de mais de metade das cenas.
Quanto aos actores - Brad Pitt está bem mas só bem e isso não é comum nas suas interpretações. Cate Blanchett está bem também, parece a personagem que encarna e essa personagem não é uma mulher diferente por nenhuma razão especial, é só alguém numa situação lixada. Gael García Bernal está muito bem e isso não é nada que nos surpreende, ele é um excelente actor e dá ao filme aquilo que o filme lhe pede... Os outros actores, desde os que participam muito aos figurantes, são todos muito credíveis muito competentes (em particular o puto marroquino mais novo) mas estão ali a dar a cara a pessoas que fazem o que fazem as pessoas comuns... Este é um filme que nos conta um conjunto de situações realísticas onde intervêem pessoas comuns.
Pronto, muito bem, até podia ser um documentário. Resta saber qual é o objectivo deste documentário.
Eu fiz a minha interpretação mais completa depois de sair da sala e achei possibilidades interessantes mas nenhuma se afirmou sobre as outras, o filme deixa muitas janelas abertas na nossa cabeça e nenhuma dele nos leva demasiado longe. São aberturas para a realidade, fazem-nos pensar porque sabemos que este é um trabalho trabalho, trabalho a sério mas só se nós trabalharmos alguma coisa é que lhe podemos dar o brilho especial, a razão, a finalização e concretização do objectivo.
O filme não é mau, nem pensar nisso, mas não é bom, é sério.


(o puto marroquino - mostra mais carácter que as outras personagens)


(a japonesa surda-muda - aparece como uma jovem que enfrenta um grave desgosto em relação a si e à perda da sua mãe)


(o mexicano)


Sentem e choram muito mais estas personagens do que nós e o único problema que eu tenho com isso é que estamos a falar de um filme de cinema.

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