sábado, dezembro 30, 2006

Eu e o Papa


Quando eu era ainda pequenino cruzei-me com o Papa na rua. Ele ía ao minipreço e eu ía ver um concerto de uma banda açoriana num bar de Santos. Quando o vi no cimo da rua não dei logo por ele... Ía de mãos nos bolsos a preparar os ouvidos com uns headphones e uma velha cassete que se gastava com a voz rouca do Kurt. E ele, sua excelência, passa por mim e meio assim numa de manfio dá-me um encontrão e eu que tava muito na minha e fiquei parvo com aquilo virei-me e gritei – “Mas atão!?”
Ele voltou-se para trás e começou a falar italiano assim a armar em mafioso. Eu percebi que era o Papa, tinha-o visto na televisão e sabia que ele andava a arranjar problemas com meio mundo mas pensei que isso era lá do outro lado da Europa, não estava nada à espera de o apanhar a andar numa rua de lisboa. Estava vestido de uma forma muito peculiar, tinha um vestidinho justo, preto e laranja, e umas asinhas mas não era roupa de anjo era assim uma invenção meio desastrosa de costura.
Avançou para mim sempre a falar alto e a dançar, às tantas eu não entendia se se estava a armar em mafioso à italiano ou em gangster do ghetto. Sei que ele estava mesmo com uma atitude muito agressiva e pronto, aquilo acabou depressa... Apanhei da minha mochila uma lata de coca-cola da marca do modelo e atirei-lha à cara.
O Papa agarrou-se com as mãos ao nariz e à boca, que sangravam profusamente. Os carros passavam e não parou ninguém. Ele chorava muito e eu fiquei com ele por um pouco mas a hora começava a apertar e o concerto devia estar a começar por isso deixei-o lá. Não sei como foi depois mas acho que ele está bem.

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