acendem cigarros com palavras,
esquecidos dos vizinhos e do sono
que os retém no interior dos edifícios.
É um sono fácil o que, justos,
os vizinhos cultivam desde sempre.
Em toda a rua, só o Senhor Gouveia
sabe o que é contar carneiros. Lá fora
três rapazes continuam, cigarros acesos
com palavras. A rua dorme, não se importa.
O Senhor Gouveia chega a ponderar
um telefonema para a polícia. Ao invés, escreve
um soneto. Enfim, saiu-lhe
mal (nada que nunca tenha acontecido).
- Vítor Nogueira
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