A marioneta

descem das palavras atiradas
ao silêncio de uma página
alguns fios desimpedidos
que lhe seguram na vida
e quando um verso ocasional
se solta, o boneco abre os olhos
e executa uma dança
apoiada no ritmo das sílabas
a música é um rumorejo
uma dor sustida poucos graus acima
da impassibilidade onde o mundo adormece
aos poucos os fios confundem-se
nos movimentos, ficam ocultos
como se não fossem precisos e aí
o boneco é um corpo, uma pessoa
mas basta uma hesitação da voz
da sua confiança na forma como declama
a possibilidade de um mundo poético
e a harmonia perde-se, o boneco morre
sem um suspiro, enterra-se no palco
como se tudo não tivesse passado de um delírio
uma agitação sustida só num relance
imaginária, falsa, desiludida..., até que a voz
se lembre de um novo verso
e de novo o boneco se anime
e não é que lhe importem as palavras
ou o que querem dizer
mas de algum modo aquela música
dá uma vontade ao espaço
onde cada um se vem mover
e é claro que há outras formas
de explicar a poesia
esta é só uma das minhas
1 comentário:
Muito bem explicado! Adorei!
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