
Cada um de nós está muito crente na sua lenda pessoal. Os melhores de nós constróem-nas como jangadas daqui para o lado de lá e deixam marcado um caminho luminescente onde as intermitências são traçadas a direito.
Lembram-se de unir aqueles pontos e fazer com que um bando desarticulado de sinais se tornasse uma desenho muitas vezes melhor do que os que somos capazes de fazer com a mão livre e deseducada sobre o papel?
Ir com cuidado é ter-se uma perspectiva superficial da vida, olhar de cima, deixar os sinais certos para que os outros de longe nos desenhem seguindo um traçado deles mas que sempre vai de encontro à imagem mapeada por nós mesmos. Eu nunca fui capaz (até hoje) de fazer isto.
Os meus sinais são dispersos, contrários, muitas vezes não são pontinhos são riscos, riscos cruzados, são cruzes que parecem deixar imagens caóticas como se eu não tizesse a mínima ideia do que ando a fazer por aqui. A verdade não foge muito desta minha folha de sinais, realmente não sei. Acredito que seria bom ter definido um caminho que pudesse dizer que é meu mas não me é possível escolher um canteiro e ficar ali a dar a cara ao sol. Não sou nenhuma flor, não sou flor para ninguém vir cheirar e não me apetece ser, pelo menos antes de me acalmar. A minha vida é frenética por dentro de mim embora me leve calmamente no arrasto dos dias. Mas não quero ser uma flor, ficar aí a exibir a minha gravidez de cores e perfume à espera que me levem para outro canteiro, um especial, um jardim majestoso ao ponto de nos levar ao enjôo... Prefiro, se puder, tentar ser uma abelha ou um beija-flor e se não puder posso ser um pardal ou outro desses bichos a que ninguém liga puto mas que ao menos têm um par de asas que lhes deixa fazerem traçados indecifráveis no ar.
Apesar de tudo não deixo de valorizar a importância da lenda pessoal mas acho que isso é uma coisa que devemos procurar sem pressa porque não interessa nada que sejamos os únicos a viver embalados nela e se cada um de nós se distraísse profundamente em si mesmo este mundo seria cada vez mais o que já é bastante: um lugar onde passamos uns pelos outros e só trocamos notas, ou cromos que temos repetidos - cada um anda tão preocupado com a sua caderneta que no fim de contas tudo com o que não ficamos são páginas e páginas dedicadas a virtualidades virgens.
Lembram-se de unir aqueles pontos e fazer com que um bando desarticulado de sinais se tornasse uma desenho muitas vezes melhor do que os que somos capazes de fazer com a mão livre e deseducada sobre o papel?
Ir com cuidado é ter-se uma perspectiva superficial da vida, olhar de cima, deixar os sinais certos para que os outros de longe nos desenhem seguindo um traçado deles mas que sempre vai de encontro à imagem mapeada por nós mesmos. Eu nunca fui capaz (até hoje) de fazer isto.
Os meus sinais são dispersos, contrários, muitas vezes não são pontinhos são riscos, riscos cruzados, são cruzes que parecem deixar imagens caóticas como se eu não tizesse a mínima ideia do que ando a fazer por aqui. A verdade não foge muito desta minha folha de sinais, realmente não sei. Acredito que seria bom ter definido um caminho que pudesse dizer que é meu mas não me é possível escolher um canteiro e ficar ali a dar a cara ao sol. Não sou nenhuma flor, não sou flor para ninguém vir cheirar e não me apetece ser, pelo menos antes de me acalmar. A minha vida é frenética por dentro de mim embora me leve calmamente no arrasto dos dias. Mas não quero ser uma flor, ficar aí a exibir a minha gravidez de cores e perfume à espera que me levem para outro canteiro, um especial, um jardim majestoso ao ponto de nos levar ao enjôo... Prefiro, se puder, tentar ser uma abelha ou um beija-flor e se não puder posso ser um pardal ou outro desses bichos a que ninguém liga puto mas que ao menos têm um par de asas que lhes deixa fazerem traçados indecifráveis no ar.
Apesar de tudo não deixo de valorizar a importância da lenda pessoal mas acho que isso é uma coisa que devemos procurar sem pressa porque não interessa nada que sejamos os únicos a viver embalados nela e se cada um de nós se distraísse profundamente em si mesmo este mundo seria cada vez mais o que já é bastante: um lugar onde passamos uns pelos outros e só trocamos notas, ou cromos que temos repetidos - cada um anda tão preocupado com a sua caderneta que no fim de contas tudo com o que não ficamos são páginas e páginas dedicadas a virtualidades virgens.
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