O verão aprende-se se puderes passar
por ele somando a infinita ausência
buscaste a tranquilidade súbita, vasta
candente e escolheste um lugar
antes de alguém abrir um mapa
viras a página, saltas alguns capítulos
até não reconheceres nem os nomes
nem o que os levou ali, intuindo
o que assim o queira, e inclinando-te
para a frente anotas uma frase estranha
e através dos óculos embaciados que vês
esta bela aldeia para se morrer, dessas
onde ninguém nos olha, e se passeia
esta luz tosca de um astro desertor
este lado insensível que suporta a noite
aquecendo-se contra o calor
das visões próprias destas horas
a melhor coisa de um anjo destroçado
o gosto de se roçar espreitando os quartos
camas desfeitas desde tempos imemoriais
Já vão uns anos desde que fomos
inocentes, agora deveria soar mal
fingir esse desacerto e encanto misturado
preferimos o olhar a suspensão, não dizer
uma palavra, animar de um golpe na língua
do tempo a descoser, a alma diz ele
é a forma das formas, aproveita
o pingo na loiça, aquele tremor de um som
em torno, migalhas disto daquilo
os gomos, algum caroço, uma lasca
de luz solar, um coração mordido no prato,
fogo diluído da ameixa, tinta suave
suada hesitação e uns grãos de café o ponteiro
torcido como um galho,
Nenhum outro sabor em troca deste.
As folhas de pessegueiros vão a descer
n'água, e se chegarem a esse lado
recolhe algumas, deixa as outras
inventarem alguma espécie de destino.
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