Este coração está pago, não pediram
tanto pelos cornos que arrasto
com crescente orgulho, depois do embaraço
que coroa se fez ao enredar-se nos dias
ouve a distância bebe luz vibra com
as tempestades comove-se com as estações
nascem-lhe folhas apontamentos de musgo
uma vez deu ameixas ou foi o que pareceu
pingar num sonho mais certo é que cultiva
borboletas antecipa-se rasga o pano
de fundo sublinha a ameaça, é um modo
de ser firme, mesmo ausentando-me,
tenho-os ali para compensar as perdas,
e os anos, pois se a idade nem me encheu
este copo e o ouvido não fez mais do trauteio
dos radiosos malditos, o olho não se dividiu
ou trouxe outras presenças a esta linha
devastada, vou sentindo falta do peso
das coisas… Ó Cristovam, e a saída?
A saída é pelo fundo, repete-me como
quem deixasse migalhas até ao túmulo.
E com todas essas pautas anotadas, cheias
ainda nos falta inventar os tais pulmões,
temos recortados os fulgores, circunscrito
o pequeno desastre os indícios entranhados
desses lugares onde se ouviu demasiada
música, até as leis físicas parecem ali
ter sofrido um particular desgaste, fizeram-nos
algumas cedências, favores, cozemos
madrugadas com restos de cordel, tantas
excepções enquanto procurávamos
o sono cada vez mais longe de casa e
bebíamos por outras mãos, atentos a outro
pulso outro astro, esse que come queima
fornica revê tudo a sós, e hoje pesa-nos
demasiado o esquecimento, rastros cruzados
a Luiza a fazer desmanchos na província
a Sophia bêbeda do mijo dos marinheiros
levando na mão a trela de um navio afundado
a Fiama e o Alba a liderarem uma milícia
de faunos, mais alguns índios órfãos leio
o que posso, deploro o recuo, a intriga vã
dos inábeis recitadores actuais, vejo-me a
flutuar rachando a cabeça vezes sem conta
e as águas verberando cozinham tudo
e aguardam depois destes sempre saciados
só comovidos admirados de si mesmos
a fome (mas fome!) que logo se seguirá.
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