quarta-feira, dezembro 26, 2012

-
Passar-te estas palavras assentes
na promessa de nada comunicarem.
Aceitas tão pesado desafio? Voz
sem uma pessoa dentro: numa cidade
grande de tantas heranças, tão poucos
amigos, que mais havia a esperar?
Apenas a derradeira ousadia
do corpo, a pausa de pensar um outro
desejo. Não é preciso inventar
a distância, cada um para seu lado
a ir ter com as coisas que conhecemos
há tanto tempo. Dou contigo na única
atenção, ficaria aqui muitas horas
só a olhar a calma que pões em tudo.
E tudo foi breve, as semanas
já correm sobre o nosso esquecimento.
Dizer quem és vai ficar sempre
adiado, procuro o doído desejo
da repetição.


- Helder Moura Pereira
in De novo as sombras e as calmas, Contexto

Sem comentários: