Porque desde a altura em que os aparelhos
se calavam já não eram coisas certas
que vinham dos teus lábios. Ainda bem.
Por aí na desordem dos gestos a calma
chegava, só então ficávamos a saber
como se fechava por dentro o ar. A respiração
saltando descia pelo peito, podia haver
muito pó e já não fazia mal ou fazia
e era assim. A respiração vinha do coração,
por ela nascia o entusiasmo novo, a alegria
num quarto quase sem nada, ir ter a outro
dia com a coragem acordada. Se nos voltarmos
a ver não deixarei que fales, farei
com que feches mais uma vez as janelas,
com isso autorizo tudo, os livros
que quiseres deitar ao chão, todo o corpo.
- Helder Moura Pereira
in De novo as sombras e as calmas, Contexto
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