sexta-feira, novembro 09, 2012

Pavana

Surjo por vezes com a lava às costas
vulcão que sou seleccionado em suaves
jogos de luzes que se chamam versos
em linhas curvas que parecem rectas

São ecos loucos de festas perdidas
músicas dos meus mais perversos bailes
quando perco os pés em universos
regidos por orquestras endoidecidas

Meu jazz é de fantasma e de andaluz
Meus queixumes rimados são atrozes
Rimo vida com morte e minha alma zumbe

Trago comigo minhas trombetas e vozes
meus lápis molhados na luz
para escrever sonetos no túmulo

- Carlos Edmundo de Ory

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