de tanto canto e tanta tanta tanta
chaga cubrindo toda a garganta
que é já uma impossível cicatriz
Ainda assim como o mais feliz
cantor do mundo que a vida canta
deixo que brote a palavra santa
da alma palpitante codorniz
E sou como a cabra e o cardo
que nas elevadas montanhas salta e trepa
em busca de altura e de linhagem
Vivo no meu próprio fogo e nunca ardo
como a salamandra e a borboleta nocturna
Ave fénix que nunca diz basta!
- Carlos Edmundo de Ory
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