terça-feira, novembro 20, 2012

Minotauro em Cnossos

Os jovens de Creta tinham a cintura
delicada e as ancas arredondadas. O Minotauro
também por eles mugia no Labirinto.
E sabia Ariadne das paixões de Pasifa
que espumou imagens bestiais como o touro que,
como Vénus, desfechou-se do mar.
Mas a arte, os arneses do homem, os signos
refinados de uma vida civilizada
são vossos, cretenses, não os vence a morte.
Mas não há mais ninguém que apunhale
o monstro em Cnossos e no mercado
de Herácleton sujo e confuso do Oriente
nada há mais que se pareça
à Grécia de antes da Grécia.

- Salvatore Quasimodo
(tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti)
in Poesias, Record

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