imaterial no vento,
quando, sumida a névoa
a meio da manhã,
agreste a luz desponta.
potros escuros correm
nos corredores de março.
velozes as pegadas, os
sinais de puros cascos,
os trilos vindos
dos dedos róseos
das ninfas que sopram
orifícios brandos
nas conchas do dia,
nos caules das
roseiras bravas.
como se os sons
sacudissem ainda
gotas de chuva nas
impaciências
do coração das coisas.
- Vasco Graça Moura
in Poesia reunida (volume 2), Quetzal
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