terça-feira, novembro 20, 2012

écloga

a saudade de nada,
imaterial no vento,
quando, sumida a névoa
a meio da manhã,
agreste a luz desponta.

potros escuros correm
nos corredores de março.
velozes as pegadas, os
sinais de puros cascos,
os trilos vindos

dos dedos róseos
das ninfas que sopram
orifícios brandos
nas conchas do dia,
nos caules das

roseiras bravas.
como se os sons
sacudissem ainda
gotas de chuva nas
impaciências

do coração das coisas.

- Vasco Graça Moura
in Poesia reunida (volume 2), Quetzal

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