quinta-feira, outubro 06, 2011

Alcoólico

Tantas vezes morri de bêbado
Que acabei sóbrio
Como a água onde se afundou um navio
Que nunca soube o seu nome.

Tenho velhos crustáceos nos flancos
A par e passo anelando em meu redor
Foram-me dados pelas sereias noivas,
Imaculadas como o musgo.

Aqui, agora, sem ter a quem nem o quê,
Estou tão cheio do mar
Que as baleias poderão fazer de mim um leito
E aí adormecer.

(Esses anjos de ares superiores
Sorvendo o divino
Talvez tenham um refúgio mais sagrado
Mas nenhum se despedirá como eu.)

- Malcolm Lowry

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