sábado, maio 23, 2009

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1 comentário:

Anónimo disse...

Quando digo que as flores se arrastam,
elas vêm mesmo deslizar aos meus pés;
mesmo assim, exalam o perfume
que algum dia, em algum tempo,
ousei reconhecer e apelidar de algo.
Não sei escrever; sei dizer que as letras
repousam na minha garganta,
pestanejam,
iluminam a sua passagem
e desaguam na minha voz.
Quando o sentimento vem ferir a emoção,
livro algum estudará o que é o Ser.
A maré de alguém, deitar-se-à;
fulminará somente o mesmo olhar.
Não sei dizer «Amor»,
com a razão que separa alguém pela distância.
A tolice vem sussurrá-lo ao meu ouvido,
devagar,
diz-me:

Que orgulho terás tu,
num verso ao calha
e num coração de côr?

E que palavras serão minhas senão tuas;
e que harmonia constará senão a nossa;
e que escrita ou construção,
poderá desenganar os sentidos para dizer
o que ninguém pode dizer,
ou para ouvir o que ninguém pode falar?
Reconheci essas palavras,
ou talvez nunca as tenha rasurado
com o meu próprio dedo.

No entanto,
o meu apoio desliza-se no cimo
de uma mão aberta;
e a simplicidade veio daí;
de um silêncio que grita o que tu és,
juntamente àquilo que sou eu.

bjinho