sexta-feira, março 13, 2009

de repente tens a memória do rosto nas mãos um caminho por onde passas de sapatilhas
a flexibilidade que ser indeterminado exige
por mais dois minutos dura o relâmpago que é a volta do eléctrico na esquina e tu já nem pensas para onde vais porque és esperto
aprendes a cada instante que não importa

já não importa

o corpo sabia o caminho há três anos atrás e agora dás-lhe rédea solta emprestas um ouvido ao coração que bate contra o solo
na tua mão há a sábia marca de um filho um choro que incendeia a canção da terra
está tudo a arder tudo a arder
e no teu corpo há mensagens fáceis coisas quase fáceis de dizer que podem coser algumas tiras de pano rasgado fazer ligaduras para muitas feridas e mordaças para calar a fome
estar vivo é útil

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