domingo, fevereiro 15, 2009

S. Jerónimo

Flor
de velhice
bebeu a cólera a luxúria o apaziguamento da vida
o corpo é uma longínqua perdida cidade
não quer saber do prazer de outro corpo
de nuvens
de árvores
onde o esquilo e a ave têm seus ninhos de vida
os olhos vêem a sábia palavra na distância
além da página do livro

carne inquieta
verso triste
que não pode já cantar
a voz amarga
doce voz de solidão o nodoso dedo indica
o crânio despejado de sentidos – beleza
in hora mortis
ermo branco
branco e negro de negra rosa cediça
boina negra afoga-lhe a cabeça
imóvel frio impossível palavra envelhecida envelhecido

- João Miguel Fernandes Jorge

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