sobre nós cai a mão do silêncio o cinzento silencioso da noite esta coisa poder desaparecer em cada esquina em todos os cantos
isto
o rosto dissolvido o quase não ter identidade estas sete palavras que risquei do teu ouvido
não me procures mais - devia ter-te dito algures - há este pesadelo que tenho recorrentemente, sonho que regresso lá que estou lá durante dois dias, revivo tudo aquilo e depois, passado dois dias, tento voltar, tento telefonar mas não me recordo do número ou tu não atendes, tento então ligar para casa
a minha
angústia
a minha angústia tem braços
tentativas
tentativos braços
sobre nós caiu a pesada mão do silêncio há palavras que nem sei já pronunciar ou fingir que sei como se dizem, como o nome do primeiro corpo, o próximo, o mais familiar que apaga tudo, como o nome que se dá a uma vela acesa na janela, como o nome que se dá aos sapatos que pela última vez usámos antes de partir, como o nome para o tempo que medeia até ao regresso, como o nome que fala entre um e outro gesto, como entrar no rio pela última vez antes do fim do verão
os pequenos nomes dos actos os pequenos nomes
como se pudessem adiar o tempo da angústia
a cegueira
1 comentário:
como me soube bem e ....
como me doeu... ler estes texto..........
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