segunda-feira, dezembro 01, 2008

Da noite examinada

Queremos menos Prufrocks e mais profetas,
porque os Prufrocks já fizeram o seu trabalho:
demoliram o que havia a demolir, pediram
gasolina, chamaram por novos incêndios.

Instantâneas são as pequenas quotidianas
misérias na cidade, e a ofensa e a inanidade
coincidem num ponto a que resolvemos
chamar de eterna condenação.

O anjo de Rilke continua a perseguir-nos
com a sua palavra por exumar. Tornou-se mudo,
as suas asas apodreceram, mas a ele, apodrecido anjo mudo,
devemos fazer remontar o gesto que nos traz
o saldo da noite examinada.

- Luís Quintais
MAIS ESPESSO QUE A ÁGUA, Cotovia, 2008

1 comentário:

Tatiana Faia disse...

o gesto que nos traz o saldo da noite examinada
mto bom, boa escolha, Diogo, obrigada por deixares aqui este poema.