Farei um verso de puro nada
Guilherme IX de Aquitânia
O nome do coração e forma é essa estúpida romã indulgente à mercê dos dedos de bronze que estão pousados no coração táctil . no coração fértil as cicatrizes das asas quando os dedos nele pousam e espantam o medo o pequeno som das cordas que se gladiariam no vazio numa ponte suspensa sobre o Pó não há dedos nem cicatrizes. mas quando eles lá pousam tudo começa existem agora os olhos abertos sobre a cidade na tempestade e são vagamente Perséfone que não existe antes de mim e não existirá depois. e o entardecer das estações mais tarde no dia estará no inferno com o coração acinzentado no pó dos dias as migalhas retalhadas pelo experiente patologista dos sucessos e insucessos do nosso tempo já sem dedos nem cicatrizes mas terei vivido apenas o desassombro de uma espera cuja esperança não é já o combustível necessário para matar a máquina para chegar ao nada. esta febre malsã e abençoada de estar vivo de estar morto consoante se fecham e abrem os olhos para ver a planície ao abrigo das chuvas no sobrado este é o quinto selo aquela palavra cuja mão não é ainda chave para abrir a vida fechar o suceder de imagens de dedos nas feridas. nas. O que eu gostava era de ter todas as certezas. absolutas sem cronologia. o que eu não posso perdoar a Homero é tê-lo lido conhecer todas as angústias que a boca dele diz no quarto vazio antes de eu fechar os olhos e eu vivo este corpo rasgado taciturno incompleto o amplexo ao contrário aqui o chão frio depois qualquer outra sorte. Terei sido nada de puro nada.Guilherme IX de Aquitânia
(compreende o nada como o devorar do vazio essa comoção última no paroxismo de terem acabado as palavras porque um homem já só está realmente vivo quando para além do nada)
1 comentário:
O nada...isto me persegue!!!
beijos brasileiros.
Gisele
Enviar um comentário