sábado, maio 31, 2008

Esboço de caminhante sem rosto

A vista que soçobra
e a respiração de ladrilhos que ao passar
se crava nas têmporas,
ninguém que abrace este corpo
desventurado por avenidas
de uma cidade que conserva,
tal e qual os homens, as ruínas.

Os bares que sem atenção o acolhem
e o misturam com sonhos encobertos,
raparigas que sorriem. A vida
foi esvaziando este coração
ébrio da urina com que os deuses
matam lentamente
aqueles a quem não amam.

- José Ángel Cilleruelo

1 comentário:

Texto-Al disse...

mt bons os poemas aqui publicados.

linkei te;)


Berta