
Um dia talvez eu me sente e fique num sítio muito tempo, calmo, sem ter uma opinião sobre nada. E vendo o que tiver para ver sem sequer me tentar aperceber do que é, do que são as coisas que nessa circunstância me passarem à frente dos olhos, talvez aí eu ache finalmente o contentamento que às vezes perco tempo a imaginar que virá de me dizerem que eu sei ou soube qualquer coisa. Pode ser num café, posso ficar lá com as minhas rugas e as minhas mãos plantadas sobre a mesa, esquecidas dos gestos impacientes que neste momento da minha vida são contantes...
Mal chego a um sítio onde me sento, os meus pés e pernas entregam-se a tiques, as mãos procuram algo para desfazer e só consigo estar mais ou menos calmo, assim, quando escrevo. É o meu yoga, e estas posições esquisitas pratico-as todas com os pensamentos. A maioria nem os escrevo, tenho vergonha. Há muita nudez nisto de escrever o que passa pela nossa cabeça. Mas o que eu queria dizer é que sinto que tenho qualquer coisa, um excesso de açúcar no sangue, uma comichão. Gosto da palavra do Bernardo Soares, o desassossego mas eu caso escrevesse um livro desses chamava-lhe inquietude.
Nada disto precisa de ter uma razão ou um nome - normalmente os nomes surgem sempre no fim depois de interpretada e organizada a confusão - a questão é que preciso de me cansar com coisas desnecessárias e escrever é talvez a mais necessária das coisas desnecessárias com que eu me canso.
O que eu queria era ser pacato. Não é que fervam constantemente em mim ideias, não é que eu seja diferente - já li muita gente que escreve de maneira diferente e já ultrapassei essa ideia de que podia ter em mim qualquer coisa que falta aos outros, e, também não acredito que me falte alguma coisa - mas estamos sempre a ser empurrados para esse universo onde só o que importa é compreender se somos normais ou não. Pronto eu sou normal e depois não há um depois? Não pode um normal ser e sentir-se confuso com confusão nenhuma? Não é a literatura lida sobretudo pelos normais? Não são já nossas as inquietações que esses poucos sabem descobrir com palavras? Algumas talvez não mas o que interessa não é isso, o que interessa é que se nos agitamos é com esperança que depois as coisas finalmente se acalmem. A insatisfação é a nossa maior dor.
Portanto, eu quero ir sentar-me quieto, esquecido e seguir nesse fio de paz sem me sentir inquieto com nada. Se calhar escrevemos enganados com a possibilidade de esgotarmos todas as proposições das frases e sentenças. Só nos esquecemos de um pequeno detalhe - é muito rara a hipótese de não sermos sempre apenas uma repetição de qualquer outra coisa anterior e melhor identificada do que isto.
Mal chego a um sítio onde me sento, os meus pés e pernas entregam-se a tiques, as mãos procuram algo para desfazer e só consigo estar mais ou menos calmo, assim, quando escrevo. É o meu yoga, e estas posições esquisitas pratico-as todas com os pensamentos. A maioria nem os escrevo, tenho vergonha. Há muita nudez nisto de escrever o que passa pela nossa cabeça. Mas o que eu queria dizer é que sinto que tenho qualquer coisa, um excesso de açúcar no sangue, uma comichão. Gosto da palavra do Bernardo Soares, o desassossego mas eu caso escrevesse um livro desses chamava-lhe inquietude.
Nada disto precisa de ter uma razão ou um nome - normalmente os nomes surgem sempre no fim depois de interpretada e organizada a confusão - a questão é que preciso de me cansar com coisas desnecessárias e escrever é talvez a mais necessária das coisas desnecessárias com que eu me canso.
O que eu queria era ser pacato. Não é que fervam constantemente em mim ideias, não é que eu seja diferente - já li muita gente que escreve de maneira diferente e já ultrapassei essa ideia de que podia ter em mim qualquer coisa que falta aos outros, e, também não acredito que me falte alguma coisa - mas estamos sempre a ser empurrados para esse universo onde só o que importa é compreender se somos normais ou não. Pronto eu sou normal e depois não há um depois? Não pode um normal ser e sentir-se confuso com confusão nenhuma? Não é a literatura lida sobretudo pelos normais? Não são já nossas as inquietações que esses poucos sabem descobrir com palavras? Algumas talvez não mas o que interessa não é isso, o que interessa é que se nos agitamos é com esperança que depois as coisas finalmente se acalmem. A insatisfação é a nossa maior dor.
Portanto, eu quero ir sentar-me quieto, esquecido e seguir nesse fio de paz sem me sentir inquieto com nada. Se calhar escrevemos enganados com a possibilidade de esgotarmos todas as proposições das frases e sentenças. Só nos esquecemos de um pequeno detalhe - é muito rara a hipótese de não sermos sempre apenas uma repetição de qualquer outra coisa anterior e melhor identificada do que isto.
1 comentário:
“Antes dos pensamentos, antes que se produza o processo de pensar, está a receptividade do espelho cósmico, que não tem fronteiras, não tem centro, não tem margens. Conforme já vimos, é mediante a prática da meditação sentada que conseguimos vivenciar esse espaço” Chögyam Trungpa, Shambhala, pag. 181
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