Se desejas um golpe de arte e o esperas cedo à porta da tua casa
Pronto para agarrares pelo braço o primeiro estranho que cruzar
O número que marca a tua entrada e que achas ser o da tua sorte
Então esse angustiante frémito é só ansiedade de trazer para teu lar
Uma vulgar pedra da rua para lhe dar nome e disfarçar-lhe a morte
Como se pudesses escolher alguma coisa para deixares de a estranhar
Quando na verdade todo o mundo te é estranho, um imenso cemitério
De faces empedernidas. E tudo o que conheces é o incurável sentimento
De desolação, como se ao nasceres a tua mãe não te tivesse reconhecido
E a alegria e o contacto fizessem parte de um mundo que te é proibido.
Pronto para agarrares pelo braço o primeiro estranho que cruzar
O número que marca a tua entrada e que achas ser o da tua sorte
Então esse angustiante frémito é só ansiedade de trazer para teu lar
Uma vulgar pedra da rua para lhe dar nome e disfarçar-lhe a morte
Como se pudesses escolher alguma coisa para deixares de a estranhar
Quando na verdade todo o mundo te é estranho, um imenso cemitério
De faces empedernidas. E tudo o que conheces é o incurável sentimento
De desolação, como se ao nasceres a tua mãe não te tivesse reconhecido
E a alegria e o contacto fizessem parte de um mundo que te é proibido.

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