
Estado em que o que me apetece é o que está mais longe
Em que nada é tudo e tudo é nada
Momento em que o que mais quero é esgotar-me
Mas em que já me sinto completamente fatigada
Altura em que gritar sabia tão bem
Mas em que a boca está seca e bem fechada
Hora em que não pareço conseguir pensar
Mas em que dou comigo estranhamente inspirada
Quando desejo sentir que sou alguém
Mas quando mais concordo com o facto de ser rejeitada
Sentimento de ser feliz e querer mostrá-lo
Mas de não ter ninguém a quem estar abraçada
Orgulho no que fiz, esperança no que realizarei
Mas repugnância pela pessoa em que fui transformada
Época de pesada incerteza sobre o amanhã
Mas desinteresse, por não ter uma posição marcada
Amor a este mundo que é o meu tudo
Mas ódio a esse amor, porque o mundo é nada.
- Ana Aleixo Lopes
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