terça-feira, fevereiro 13, 2007

A minha poesia

a minha poesia é surda
nunca ouviu um elogio
em momentos como este
ela olha-se ao espelho
toca-se e pergunta-se
"serei poesia...
ou um mero desabafo extrovertido?"

a minha poesia, ela quer
deixar de ser só minha,
para ser ainda mais minha
ela quer ser encontrada

veste-se toda aperaltada
e sai à rua, finge que se resgarda
finge uma certa timidez
mas está mais perto de uma puta
e preferia ser violada
a nunca, por alguém, ser tocada

a minha poesia é uma mulher triste
sente-se feia, é virgem, quer ser amada.

2 comentários:

Anónimo disse...

Mas se assim acontece
Se não se banaliza no toque de qualquer alguém,
Se não é encontrada, nem mesmo contada,
Se é orientada para o silêncio escondido,
Então é porque é mais poesia do que nunca...

Porque só é poesia,
Aquela que, nos termos da palavra escondida,
Faz suster o provir de letras pensadas...

locus

Diogo Vaz Pinto disse...

Muito simpático, obrigado