terça-feira, fevereiro 13, 2007

Espera


Ah eles dois... Não se largavam
Atacavam-se à nossa frente
Os momentos ardentes que vimos
E os que não vimos e imaginámos
Aqueles dois davam certo
Aquela força entre os dois
Era tão urgente
Parecia mesmo que se precisavam
Se tentávamos apontar o amor
Aqueles dois tinham as pontas dos dedos
Tocando-se, no sinal mais indicativo.
Namoravam.

E depois ela foi para longe
Não é que quisesse mesmo ir
Mas foi... E o que é é.
Ela foi.

Ele ficou e fez o que podia
Porque quem fica sempre faz só isso
Olha para a frente
E espera.

O amor não definha
O que definha são os corpos
E qualquer momento seria o mais feliz
Se ela voltasse
A espera desfia-lhe os pensamentos:
Se pudesse ia lá buscá-la
Mas ela foi pelo seu pé
E não posso escrever num só verso
O verbo amar e o verbo
Contrariar
(Isso seria poesia de mau gosto)

Por mais forte que ele se faça
A espera é sempre simples
E, no entanto, é larga como o horizonte
Não há meio de a contornar
Ele faz da única forma possível
A coisa mais difícil de se fazer
Que é saber-se precisamente o que mais se quer
E não dar luta... Deixá-la estar
Sem se saber se ela há-de voltar

É isto esperar.

1 comentário:

Anónimo disse...

Esperar sem olhar para trás...
Porque essa é a posição mais cómoda à alma,
Esperar na condição de saber que,
Se lhe restará tempo útil,
Também lhe sobrará o tempo de espera
...E só aqui o tempo é contado...

Resta o saber do segundo pensado
Que em breve será também momento de espera...

locus