sexta-feira, julho 06, 2018


marias nem noites têm, dias só, e passam-nos com o sol a apanhar-lhes as flores entre os ombros e elas a elogiarem-se, insubstituíveis todas, enchem autocarros e vão de bibe juntas, movidas a combustível de trá-lá-rá, a acenar aos verdes campos, este ano um tiquito menos verdes, e há uma que abre a sua latinha de chá, mostra o casal de caracóis e parece uma imagem do éden, são levados debaixo dos narizes e de um grande Ó, e arranca o rito matinal das palmadinhas nas costas, àquela pelo impulso para abrir um pequeno zoo, que um dia, todas estão seguras, há-de ter pandas, koalas, quem sabe algum marciano também, e é a vez de cada uma pôr a chiclete de um sonho qualquer na boca, e depois de mascar um pedaço, passá-la à boca seguinte até que se acabe o açucar, e, em chegando à escola, qual português, qual matemática, teatro com elas, o dia todo, e daquele sem personagens secundários, todas protagonistas, guião nem é preciso, o paraíso fica já ali ao lado na base da improvisação, vamos olhando em roda, e é isto em toda a parte, mas deus te perdoe, além de te chamares ronilda, o pôres essa pata imunda no outro prato da balança, baixares uns milímetros aos décibeis de toda essa alegria, ainda largares os cães rafeiros, pulguentos, famintos e com tesão crítico, se saltam insultos é o descalabro, um ôrrror, sim, porque ao elogio dispensam-se todas as provas, pode vir, o mais destrambelhado é família, basta sorrir por cima do babete e é uma princesa, já a crítica, o insulto sentido, aquele escarro que tem agarrado uma ponta de alma, esse tem de ser doutorado, vir com recomendação do FMI, em linha com o programa de austeridade do governo, e estar agendado, previsto como um eclipse do sol, para as marias pôrem aqueles óculos, darem as mãos e olharem juntas para o céu, que lindo balanço que para aqui vai, querem tirar o emprego ao mal, dar monopólio ao bem, e só ficam dois graus: o êxtase ou o silêncio sepulcral, tipo velório, e é fácil perceber o que isso quer dizer: se não lhes cai bem o que tu tens a acrescentar: enterram-te viva, ronilda

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