
Podes sempre ser isto
ou outra coisa qualquer,
neste momento
talvez sejas
um acto isolado
no parque de uma cidade de cinzas
uma reverência espontânea, inclusa
na incerteza
de um trejeito
emocional
e talvez as palavras
te caiam, como das árvores
caem as folhas
despindo-te
o corpo marcado
pelos golpes de navalha
já cicatrizados, como
feridas de encantos amorosos
que não foram feitos para durar
senão como sinais que porfiam
na carência da pele
afagada nas tardes
irrepetíveis
que a erosão da vida
vai subtraindo
à memória.
No outono
um olhar
envelhecido
não vai longe
mas sepulta-se
nas pequenas coisas
onde o esquecimento
nos cerca.
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