"dá lecença"- é o que se pergunta aqui em Arraiolos(vocês conhecem Arraiolos?) quando se pretende entrar em casa estranha - depois de 3 pancadinhas com a maçaneta de ferro na porta-de-entrada ou no portão.
Quem veio ao postigo ver quem era foi o Diogo Vaz Pinto, que vocês todos conhecem, e me disse, sim senhor, por que não, pode entrar, sentar-se aqui neste canapé, tire o seu chapéu, se faz favor, e por falar em tirar o chapéu venha tirar uma bucha - que a gente já o atende.
Estou entrando, e não vou perder muito tempo a explicar o que me traz até aqui, já que isso irá acontecendo com o correr dos tempos, descontridamente, com a passividade, a calma, a sonolência atribuida a todo o indígena que viu a luz do sol a sul do grande Rio que vocês têm aí
-para lavar os pés e apanhar o vapor para as Américas.
Não sou escritor - nunca publiquei nenhum livro, e agora, se calhar, até começa a ser tarde demais para pensar na aventura. Sou um sonhador, que mistura ao defeito a qualidade de ser dotado (julga) de alguma capacidade de observar o que se passa à sua volta. Lucidez, entendem?
Gosto das quadras Populares. Tenho, delas, uma boa cabazada ( a linguagem é do horticultor que sou como passatempo - que me diverte mais do que o SudoKu, ou lá como se chama o jogo,
ou das "palavras cruzadas") uma boa cabazada, dizia, com o nome de "Quadras P´ra Pulares".
É exacatamente com um desses exemplares que tomo a liberdade de franquear a porta que acaba de me ser aberta. Com vista a branquear, na medida do possível, a "sornice"atribuida às gentes cá do sítio:
a sesta do alentejano
é entre as duas e as três.
Tu, que dormes todo o ano,
só o alentejano é que vês
E pronto, prometo voltar a este tema
abraços para todos
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