domingo, outubro 07, 2007

Condição


A condição é o aspecto mais importante de estar e ser e fala-se muito nisso, mas a linguagem já é em si uma transgressão do espírito desta coisa que nós somos. Linguagem é a nossa fabricação, é o produto mais típico que vem do estado expressivo em que acabamos por nos fechar. De uma forma ou de outra não me convenço que estar sentado a escrever sem um objectivo concreto seja um caminho para irmos ao encontro uns dos outros, não digo que não seja mas não é uma coisa da qual me consiga convencer. Acabo por sentir que logo a seguir a um ponto final - um que marque mesmo o final de qualquer coisa que queria dizer (estou a referir-me a esse breve momento de semi-satisfação) - fecho-me, ou apercebo-me que estou fechado. É como um movimento de respiração. A concha abre e em seguida fecha. Talvez permita um vislumbre da pérola mas é pouco mais que isso. Não é palpável, não chega a ser mais do que uma imagem. Pensar é a condição, escrever é outra coisa, é experimentar, talvez, a falta de alcance da nossa condição.
Se quisermos explorar um pouco a substância da própria expressão nos seus amplos sentidos, chegamos à conclusão que a própria linguagem deixou para esta palavra uma mistura muito complexa de sinais distintos. Condição pode ser uma classe onde a pessoa se insere, ou uma distinção, mas agora o que me interessa mais são outros sinónimos também possíveis como cláusula ou encargo. Se pensar a condição de estar e ser por si sinto, mas se pensar pelas pistas linguísticas fico amarrado a um mundo de construções coligadas onde me perco muito depressa, e, de qualquer das maneiras acabo sempre por chegar à mesma impressão, esta sensação aleatória entre um equilíbrio e um desequilíbrio para a forma como estou e sou.

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