segunda-feira, julho 30, 2007

Excedentários

horroriza-me a poesia como purga
onde se vão alinhavando os restos
do corpo e a falta de alma
aproveitando que em cada palavra existe
um mundo de sensibilidades panorâmicas
que deixam ajuntar montículos de merda
sem uma prova de vontade
e faz-se dos versos um passatempo onde
as palavras são recortadas e coladas umas às outras
sob uma assinatura, a inscrição adiada
de um jazigo a mais

é poesia de vício tipo palavras cruzadas,
sala de chuto para os génios da metalinguística
e ai de quem se atreva a desmistificar esses nadas
hão de vir às carradas armados com as lições do bom senso
defender os direitos imanentes do ser
e uma política socialista também para as ideias
toda a história da filosofia decifrada na hora
e no fim já não interessa o que vale a pena
hão de estar certos até o dia em que já todos escrevem
mas ninguém lê.

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