domingo, julho 29, 2007

As ruas

Sinto-o sentir com as mãos o fundo cosido dos bolsos
As mãos sinto-as nervosas, escondidas do seu embaraço
Enquanto caminha pelas ruas tortuosas da cidade
Vendo tudo sem tocar em nada, fechado nos pensamentos
Preparando-os para o poema. Que sujeito magnífico e triste
É como uma sombra densa que avança e em que ninguém repara...
Lá vai ele profundo de fato e chapéu e nenhuns olhos o sentem
Só nós o seguimos com os nossos bolsos cheios dos seus poemas
E os seus poemas estão cheios do vazio daqueles bolsos
Onde se escondem as mãos da poesia enquanto este vulto
Passa pelas ruas não como um poeta mas como um homem qualquer.

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