há uma parte de mim aqui
outra que nem sabe de si
há uma parte de mim tão honesta
que chama mentirosa à outra
mas essa outra é a parte de mim que chora
enquanto esta, a que é honesta
é fria e tão cruel que chega a ser imbecil
há uma parte de mim que agora mesmo
quer-te escrever um poema
para guardar e só to mostrar na hora certa
há outra parte tão vaidosa que pega
nessa coisa bonita que eu comecei para ti
e lhe mete uns versos picados
para os olhos adormecidos
acordarem aqui
mas se só dos teus olhos
pode chegar-me um reflexo
eu continuo a voltar lá atrás
onde um poema só de ser meu
era já notável e então lembro-me
que não foi para ser bom
que quis escrever poesia
foi porque era um gesto
que tu entenderias
como algo romântico
há partes de mim para tudo
para o bem e para o mal
mas é sempre feio isto
deixar que outros olhos leiam
cada poema que começo para ti
e se me perguntares porquê
é vaidade é
mas se não te amasse
nem com toda a vaidade
escreveria algum
são teus-meus-deles
mas se no fim
disser um nome
será o teu: Ana
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