segunda-feira, abril 02, 2007

Helena em cativeiro


O rapaz escreveu-lhe a seguinte carta em que lhe explicava todos os seus motivos:

«No fundo a verdade é que desde que olhei para ti senti que tinha de haver alguma ligação entre nós e esse sentimento foi desde logo feroz. É como se fosse uma coisa natural, completamente lógica, tenho esta pretensão de querer ser eu a dar-te o ar que respiras. Quero doseá-lo à medida que me agradas e desagradas, quero encerrar-te numa prisão de claustrofobia onde me sentes finalmente como uma janela de possibilidades... Mas porta nunca! Espero que de alguma maneira não encontres uma porta, isso seria o fim. O teu, espero que sim, o meu seria de certeza. Sei que estou doido, já pensei nisso e percebi que encontro razões explicadas e motivadas por todas as leis e matemáticas que dão ordem às coisas, consigo encontrar em mim uma enorme certeza e é por isso que sei que estou louco, porque não te posso desejar e querer mais do que quero, não posso esperar nesta vida por uma força que brote de mim com maior fúria e no entanto já percebi que isto não é amor, isto não é amor... Estou doente, desviei-me do caminho certo e não foi porque tenha recuado alguma vez, nem foi uma questão de intenções... No princípio quis dar-te o mundo, quis mesmo, o mundo todo e agora tu estás aí, fechada.
Eu percebo-te perfeitamente e sei que devia ficar do teu lado contra mim mas não consigo, já deixámos essa fase à muito tempo, isto agora é loucura e não posso fazer mais nada senão desculpar-me... ainda assim não sinto remorsos, só uma onda de constrangimento que se perde sempre que te roubo um beijo.»

1 comentário:

Anónimo disse...

há muito tempo

Como é um tempo verbal e não uma preposição, ficas livre de deixar o problema em aberto. Ou não. Opção.