
guardei as tuas palavras que ficaram fartas cedo demais,
as tuas expressões onde ainda procuro respostas doces
tocaste-me nesta mão e ela diz que se lembra bem disso
nos registos ansiosos que te desenha no meu espaço
e eu pergunto-me: quantas noites serão suficientes,
quantas divisões esvaziei na tua caixa de chocolates
quanto de mim falta viver, quanto de ti sofreu
e as lágrimas, quanto choro a seco, pó na língua
sal no sangue e esforço para não recordar
o sabor a doce que saturou outros dias, eu
tenho suor agarrado a mim e recuso lavar-me
dói-me o vento, o sol e a chuva contra o corpo
tenho a mente num castigo, é um quarto
de pensamentos sólidos cozidos a solidão
desgosto friccionado por auto-comiseração
e contar coisas que deviam não existir
tudo é excesso de saúde na hora da morte
quero um prego no dedo e ver muito sangue
mas sou lúcido demais para me magoar
e não tenho fármacos para fugir disto,
a vida arranja um jeito de continuar
e afinal seria tão triste admitir
que se estamos aqui metidos
é para perder, e se esquecemos
é porque podemos esquecer
ainda te parece que há alguma coisa para lá disto
mas este é o fim e esquecer é só recomeçar...
agora que já abriste os olhos para outra direcção
adivinha só onde uma nova história te vai deixar
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