Quando eu era muito miúdo os meus tios mais novos falaram-me dos gambozinos. Disseram-me umas coisas bem vagas e depois através das perguntas que eu ia fazendo (sempre fui daquelas crianças que fazem demasiadas perguntas) deixaram-me preencher as falhas, omissões ou lacunas da história. Na minha cabeça imaginei as criaturas mais fantásticas, uma espécie de pirilampos que haviam de ser uns excelentes animais de estimação.
Durante toda a minha infância tive uma grande pancada por animais, de todo o tipo e feitio, desde insectos a cães e gatos.
Lembro-me que só muito mais tarde vi pela primeira vez um pirilampo e então fiquei tremendamente decepcionado. Quando era miúdo tinha uma imagem muito concreta do que devia ser um pirilampo, provavelmente essa imagem foi ficcionada por mim a partir de alguma referência como a dos pirilampos mágicos... Mas era fantástico aquele bicho que tinha uma antena luminosa.
Os gambozinos criados à semelhança da ideia que fazia do pirilampo eram ainda mais interessantes e eu fiquei realmente excitado com a ideia de ir à sua caça.
Deram-me um saco para a mão e disseram-me que tinha que esperar pelas horas menos iluminadas para que eles aparecessem. Caçá-los era simples demais. Eu esperava qualquer coisa com muita acção e perseguição mas parecia que tudo o que bastava era andar com o saco de plástico aberto nas mãos e chamar por eles, eles eventualmente acabariam por saltar lá para dentro.
Os meus avós tinham uma casa com quintal e um jardim grande e devo ter passado ali bastante tempo. Os meus tios riam-se... Volta e meia eu chamava por eles, queria que me ajudassem porque com três a caçar era mais fácil do que apenas com um.
Essa noite não tinha apanhado nenhum e estava triste mas não me contaram nada e de tempos a tempos lembrava-me dos gambozinos e andava atento, chegava a chamar por eles. Não cheguei a perceber a piada porque só muito mais velho voltei a ouvir falar dos gambozinos e então recordei a minha história e finalmente percebi como deve ter sido engraçado ver um miúdo a tentar apanhar uns bichos que não existem. Não me chateia ter feito figura de tolo para os meus tios se rirem, naquela tarde/noite estive realmente excitado com a ideia. Nem tudo tem que ser de verdade desde que seja bom.
Um dia hei-de levar um miúdo a caçá-los.
Durante toda a minha infância tive uma grande pancada por animais, de todo o tipo e feitio, desde insectos a cães e gatos.
Lembro-me que só muito mais tarde vi pela primeira vez um pirilampo e então fiquei tremendamente decepcionado. Quando era miúdo tinha uma imagem muito concreta do que devia ser um pirilampo, provavelmente essa imagem foi ficcionada por mim a partir de alguma referência como a dos pirilampos mágicos... Mas era fantástico aquele bicho que tinha uma antena luminosa.
Os gambozinos criados à semelhança da ideia que fazia do pirilampo eram ainda mais interessantes e eu fiquei realmente excitado com a ideia de ir à sua caça.
Deram-me um saco para a mão e disseram-me que tinha que esperar pelas horas menos iluminadas para que eles aparecessem. Caçá-los era simples demais. Eu esperava qualquer coisa com muita acção e perseguição mas parecia que tudo o que bastava era andar com o saco de plástico aberto nas mãos e chamar por eles, eles eventualmente acabariam por saltar lá para dentro.
Os meus avós tinham uma casa com quintal e um jardim grande e devo ter passado ali bastante tempo. Os meus tios riam-se... Volta e meia eu chamava por eles, queria que me ajudassem porque com três a caçar era mais fácil do que apenas com um.
Essa noite não tinha apanhado nenhum e estava triste mas não me contaram nada e de tempos a tempos lembrava-me dos gambozinos e andava atento, chegava a chamar por eles. Não cheguei a perceber a piada porque só muito mais velho voltei a ouvir falar dos gambozinos e então recordei a minha história e finalmente percebi como deve ter sido engraçado ver um miúdo a tentar apanhar uns bichos que não existem. Não me chateia ter feito figura de tolo para os meus tios se rirem, naquela tarde/noite estive realmente excitado com a ideia. Nem tudo tem que ser de verdade desde que seja bom.
Um dia hei-de levar um miúdo a caçá-los.
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