Levantam-se ao meio-dia, mijam
interminavelmente estes poucos rapazes
que não emigraram,
apegados ao decorrer das coisas
ao idioma à inutilidade da vida, ao som
dos nomes, tiveram mulheres alguma criança
aguentaram a pobreza iam ser pintores
escultores músicos sabiam versos de cor
tinham comichões sagradas
discutiam com fervor as preferências sexuais
das musas buscavam os raros lugares
onde o génio ainda conta, e o tempo
pegou-lhes os piores hábitos
aquela confiança para cantar
para se demorarem mais para abusar
da sorte da paciência de si mesmos
dormindo onde calhasse com quem
os quisesse hoje acordam fitam um rastro
indecifrável como sonâmbulos, a luz entra
com gosto em ver-se dissecada, e na mesa
o que têm? porções de tudo em frascos,
terra, algas, baixezas soprando, frutos tocados
nozes, moedas, caricas de cerveja botões
os restos de um violino devorado
uma vulgar enciclopédia velha riscada
com uma paciência infinita deixa
emergirem golpes brilhos sinais de fumo
estranhas fabulosas tribos e que
promontórios constelações explicando
de forma cantada em detalhe razões
distantes, uma fêmea de grande
talento e porte que enigmas nessa língua
dispõe os dias do espanto desde o primeiro
grito e o que se seguiu da cópula até à morte,
já apenas casca, algumas linhas
fumamos corrigimos últimas palavras
e isto também é para se comer,
viramos as folhas revistas estampas
máquinas ingénuas que querem
tocar-nos os lábios má ficção e pornografia
os rapazes com a pele luzindo
deixam-se enrabar em troca do almoço
soltam notas de um gozo absurdo
pelo cu, pedem coisas de nada
enfim acabam por ficar sozinhos
e vão roer os próprios ossos pelas ruas
o perfume de outra carne,
aperfeiçoam insultos, deserções
sem arrependimentos apreciam o estrago
e riem longamente, tristes, satisfeitos
absorvendo tudo como animais
de outra substância
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