Chove e amo.
Arquejam, em derramada sombra,
duas sombras vivas, que fossam o nada,
e nele se alimentam.
São fímbrias de luz
e à sua luz vêem-se olhos, coxas e cabelos,
enquanto a sombra se extingue contra a sombra,
e o repouso nos lençóis
das fúrias do corpo
é o agradecimento de quem há-de morrer,
e sem pedir a vida, o ultrapassa
até negar a morte miserável,
a ferrugem dos corpos ainda vivos
e as sombras já ocas dos mortos.
- Francisco Brines
(tradução de José Bento)
retirado daqui
Sem comentários:
Enviar um comentário