silêncio
eu uno-me ao silêncio
eu uni-me ao silêncio
e deixo-me fazer
deixo-me beber
deixo-me dizer
*
os náufragos atrás da sombra
abraçaram aquela que se suicidou
com o silêncio do seu sangue
a noite bebeu vinho
e bailou nua entre os ossos da névoa
*
animal lançado a seu rastro mais longínquo
ou miúda nua sentada no esquecimento
enquanto a sua cabeça partida vagueia chorando
em busca de um corpo mais puro
*
logo
quando morrerem
eu bailarei
perdida na luz do vinho
e com o amante da meia-noite
*
viajante com coração de pássaro negro
tua é a solidão da meia-noite
teus os animais sábios que povoam o teu sono
à espera da palavra antiga
teu o amor e o seu som no vento exausto
*
CAROLINE DE GUNDERODE
En nostalgique je vagabondaispar l'infiniC. de G.
A mão da namorada do vento
acaricia a cara do ausente.
A alucinada com a sua «malinha de pele de
pássaro»
foge de si mesma com uma lâmina na memória.
A que foi devorada pelo espelho
entra num cofre de cinzas
e apazigua as bestas do olvido.
A Enrique Molina
*
Eu canto.
Não é invocação.
Apenas nomes que regressam.
- Alejandra Pizarnik
in Poesía Completa, Lumen
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
Outros poemas (1959)
Separador:
traduções
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário