quarta-feira, fevereiro 13, 2013


Outrora carregava o saco como um caçador
Em vez de tordos e galinholas misturava ameixas
com rolos de papiro
Numerados de um a cinquenta transportava
colunas de versos ainda frescos
da tinta púrpura e do cheiro
forte da resina     não tão frescos     no entanto
que não pudesse a cada um passear-lhe
em cima os dedos
As ameixas comia-as demoradamente     silabando o sumo
e os versos deitava-os a seu lado sobre a lájea
e ao sol esperavam a sua hora     Trocava-os depois
por uma moeda ou bolos de mel ou algumas ameixas
um elogio até


- Abel Neves
in Eis o Amor __ a Fome e a Morte, Cotovia

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