quinta-feira, janeiro 24, 2013

Regresso à minha cabana nos campos


Quando era novo serviu bem andar no mundo
Preferia sempre a montanha e os cerros
Fui por engano apanhado na época
E uns treze anos deixei longe o terreiro.
Pássaro preso lembra antigos matos
Peixe num tanque, o velho lago montesino.
Preparam cultivos em terras do Sul
Casmurro sempre regresso a estas paragens.
Este pedaço a três acres não chega
E o casinhoto, tecto de colmo, 8 ou 9 medidas.
Ulmeiro e choupo dão curva sombra às traseiras
Abrunho e pêssego se mostram 'fronte do salão maior
Perdido ao longe se esfuma um povoado
Escoam fumo os casebres,um e um.
Ladra um cão numa dessas quelhas
Os galos no cimo da 'moreira cocoricam.
A casa livre de cuidados e de poeiras
E num quarto vazio , tempo solto p'ra gastar.
A vida de homem como é presa de fantasmas?
Posso voltar a ser outra vez da Natura.

- Tao Yuanming
(tradução de Gil de Carvalho)
in Uma Antologia da Poesia Chinesa, Assírio & Alvim

Sem comentários: