Sem música como cresce a solidão,
promete antes ao vento a tua voz
ou lança-te para as encruzilhadas
que já não habitam as resoluções
da idade. Por cada degrau a subir
tenho uma imagem que sobe e são asas
quietas, nasce o sol a destempo,
ficarei a interrogar um risco
e uma precisão, as destemidas espadas
do teu corpo enrolam-se em panos
e cobertores. Espero até ao último
instante da espera, as ferramentas
que não sei usar estão espalhadas,
estiveram a entreter o tempo.
A madrugada descobre-me em anotações
numa estranha cor, tão frágeis
como o carregar de penas inventadas,
sem a música, com os veios de luz
no vidro da manhã.
- Helder Moura Pereira
in De novo as sombras e as calmas, Contexto
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