Dia violento na cidade, corpo forçado
ao amor e depois lentamente ganho,
tão cedo começa o dia com a luz a entrar
nos tijolos, paredes caiadas por extenuados
braços. Despertar nesses braços a vontade,
o silencioso entendimento, vem comigo
antes que te peça. Assim recomeço lances
de paciência, venho da rua a assobiar
com o saco do pão entre as folhas
da estação. Não sei como trazes agora
o corpo, está tudo tão calmo, um pouco
abaixo do Adamastor os grandes martelos
fazem eco nos grandes barcos, sobre o chão
as latas de tinta, parafusos, chaves,
a cartolina enrolada, a silhueta
do teu corpo nos limites do giz
como um peso morto, a minha vida.
- Helder Moura Pereira
in De novo as sombras e as calmas, Contexto
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